2015 Zoé Orgonites

Esse texto foi elaborado tendo por base o documentário "Quem tem medo de Wilhelm Reich" exibido na TV Cultura e está disponível no Youtube. Um documentário que mostra muito bem, em detalhes, a inteligência, sensibilidade em analisar o ser humano como um todo, pioneirismo em várias atividades e a coragem em publicar todo seu conhecimento e experimentos e não se curvar jamais ao governo. 

 

Como legado, além da descoberta e da capacidade de acumular a energia Orgone com inúmeros benefícios  Wilhelm Reich nos deixa também a maravilhosa "Terapia Reichiana" que trabalha com desbloqueios energéticos, (vale muito a pena também se informar sobre essa terapia, basta procurar no google terapeutas em sua cidade) e a enorme satisfação de poder estudar  e conhecer um pouco sobre esse ser humano admirável e de vanguarda como foi Wilhelm Reich, sou muito grata por isso!!!

 

 

 

 

O autor da palavra Orgone é o austríaco Dr. Wilhelm Reich (1897-1957)

médico, psicanalista, sociólogo e cientista natural.

Reich um profundo estudioso do comportamento humano teve

uma vida intensa, passou pelo campo da medicina, biologia, psicanálise

e física quando conseguiiu provar o estágio da energia da

"não vida para a vida - o Orgone"

 

 

 

Dr. Reich psicanalista

 

 

Reich via o ser humano de forma integral sempre interessado e estudando como a psique atua e está ligada ao corpo, como os impulsos bioenergéticos afetam o comportamento e a saúde do homem, observava como a sexualidade reprimida afetava o comportamento do ser humano e por consequência de toda a sociedade. Foi aluno de Freud e em 1920 foi aceito na Associação Psicanalitica como um dos mais jovens.

 

Diferentemente de seus colegas psicanalistas que tratavam exclusivamente de pacientes de rodas burguesas Reich se engajou durante anos no ambulatório de psicanálise para os desprovidos, pois era ali, na grande massa onde poderia atuar e observar como o comportamento individual se manifesta na sociedade como um todo. Filiou-se em Berlim ao partido KPD atendendo pacientes e promovendo uma reforma política na sociedade contra a rígida moral sexual de seu tempo. 

 

Foi o pioneiro na década de 40 ao atentar ao comportamento de bebês, iniciou observando seu próprio filho e  comprovou em suas observações que bebês sentem o estado emocional dos adultos enquanto nem os adultos encontram espaço em sua própria percepção, os bebês são um tipo de absorvedores de experiências inconscientes dos pais em questão, um tema totalmente ignorado pelos biofísicos da época.

 

Foi o primeiro analista a sentar diretamente em frente aos pacientes, observando suas reações. Percebe em seus pacientes que neuroses se refletem no corpo, na respiração, postura, gesticulação e mímica e desenvolve uma investigação de qual a ligação que existe entre essas aparições corporais e os processos psíquicos do paciente ao trabalhar diretamente o sistema nervoso vegetativo e chama a nova terapia de "Vegetoterapia".

 

Já nos Estados Unidos, Reich começa a lecionar na New School for Social Research em Nova York, segue com suas pesquisas científicas que havia iniciado com medições de resistência da pele, ele tenta provar que existe  no corpo um fluxo de energia que tem ligação direta com as emoções. Com uma série de testes em pessoas ele consegue comprovar que desejo e excitação sexual aumentam a carga elétrica da pele e desânimo a diminui. Assim, para ele a energia sexual é pela primeira vez fisiologicamente comprovada. 

 

Com base em suas descobertas na área das medições de resistência da pele Reich transforma na América a terapia vegeto em orgone. 

 

Dr. Reich e a descoberta do Orgone

 

As hipóteses que Reich tira do trabalho prático com os homens ele quer prová-las também cientificamente. Por meio de experimentos, ele tenta pôr seus conhecimentos adquiridos em uma base física, para que esta também encontre validade nas rodas cientificas. O esforço de Reich é comprovar a energia do ser vivo no fundamento biológico das células. 

 

No diagnóstico de Reich tinha grande importância a colocação do sangue do paciente  imediatamente após a coleta debaixo do microscópio não fixando, como de costume, em lâminas e tratamento com corante, que matava as células. Ele observava as células vivas sem nenhum tratamento e achava poder ver ali o carregamento de energia dos glóbulos vermelhos e isto era para ele também um critério diagnosticado para o estado de energia do paciente e não só a impressão que ele tinha ao olhá-lo.

 

Para sua surpresa, ele descobre que partículas mortas de carbono após poucos dias, se reorganizam.

 

Ao redor das partículas formam-se pequenas bolhas que de repente começam a brilhar e pulsar, ele as chama de bions.

Para Reich bion é a unidade elementar da função de toda matéria viva. Os bions são pré estágios do vivente, formações da passagem da imobilidade anorgânica para a mobilidade orgânica e cultivável. 

 

A radiação que pulsa ao redor dos bions, leva Reich a conclusão de que a matéria se reorganiza, descarrega energia.

Esta energia é, para ele, a energia vital primordial que serve de base para tudo e a denomina Orgone.

 

Reich vê na energia vital orgone os componentes decisivos dos quais ele sente falta na pesquisa fundamental da ciência natural.

 

"Ninguém neste mundo é formado em biofísica orgone, A questão da física orgone e biofísica não é uma questão de crença ou não crença, porém uma questão de observação e experiência - Reich

 

Em 1947 Reich instala-se com sua segunda esposa no Institute Orgonon, onde começa a pesquisar exclusivamente a energia orgone com o intuito de torná-la útil para a humanidade. Sua intenção era tornar a energia biológica orgone notória e útil para experiências físicas e terapêuticas.

 

* Reich cria um carregador de orgone, uma caixa internamente com uma área de metal e externamente limitado por uma rede orgânica (um isolante elétrico) que resulta em um vetor de energia no espaço interno. Nesse carregador, Reich consegue concentrar e tornar visível a energia orgone ao assentar culturas bions no carregador. Esta energia, a princípio ele só notara como radiação de bions. Surpreendentemente, o orgone, mesmo após retirado das culturas bions continuava irradiando no carregador vazio. Disso ele deduz que energia orgone deve também existir na atmosfera.

 

"Energia orgone existe dentro e fora de nós. O universo consequentemente não é vazio como a física clássica supõe, no entanto, preenchido com a energia cósmica pulsante" Reich

 

 

Reich concentra-se no efeito curativo da energia orgone e inicia uma série de experimentos com ratos com câncer cujo tumor, após alguns apontamentos é erradicado com êxito com a energia orgone. Reich via o câncer como um estado de déficit de energia, não só de forma quantitativa mas também de estagnação do fluxo de energia no corpo. Pacientes com câncer que entravam no Acumulador de Energia Orgone sentiam uma notável melhora com relação a disposição física e diminuição da dor.

 

Começa a perseguição a Reich contra a energia Orgone

 

Reich a essa altura já estava com livros publicados, seu laboratório contava com vários cientistas envolvidos na pesquisa cada vez mais profunda sobre a energia Orgone, pacientes estavam sendo curados de alguns tipos de Câncer nos Acumuladores de Orgone, eis que é lançada a primeira bomba atômica...

 

Hiroshima e Nagasaki: Quando o avião B-29 lançou a primeira bomba atômica,  a energia orgone começou a ser citada como a única força contrária real a energia mortal da bomba atômica. Reich começa a ser questionado qual a relação entre orgone e a bomba atômica. 

 

 "Até onde compreendo essa energia orgone é uma energia subatômica em sua forma natural, da qual, então provém os elementos químicos. A energia da bomba atômica é obtida da destruição de matéria, nós captamos a energia cósmica de maneira natural, não acredito que os mecanismos conseguirão, algum dia retardar o processo de destruição da matéria em tal dimensão que a energia possa ser utilizada para fins pacíficos." 

 

A partir de 1951, Reich examina se a energia orgone pode diminuir os efeitos perigosos da técnica atômica. Para isso ele encomenda, no orgão de energia atômica americano, rádio que ele utiliza no experimento ORANUR (Orgon Against Nuclear Radiation - Orgone Contra a Radiação Nuclear)-  o qual foi  prontamente atendido e lhe foi enviado 2 miligramas de rádio.

 

Uma das cientistas que estava no dia do experimento diz no documentário: "Ele trouxe uma pequena quantidade de rádio, um miligrama em um laboratório muito carregado de energia orgone. E descobriu que isso desencadeava um tipo de reação em cadeia na atmosfera, que primeiro se fazia notar por um lampejo de energia vital, que ele atingia grandes oscilações com seu contador Geiger especial, que havia carregado com energia vital e, de fato, as paredes se tornaram quentes e houve uma grande tremulação na atmosfera e nós todos fomos atingidos pela radiação nesse momento do experimento. Todo o grupo de cientistas do laboratório se separou e muitos o abandonaram, assim como eu, não queríamos mais estar lá e ele sentiu que isto foi uma verdadeira emergência e, depois disso, basicamente ele ficava sozinho no observatório." Uma grande parte de seus ratos de laboratório morreu, Reich e seus funcionários contraíram diversas doenças.

 

 

Reich comprova os efeitos nocivos na saúde da radiação nuclear, em seu laboratório Orgon diz:  "A natureza parece cansada, a atmosfera está sombria e sobre Orgon há nuvens escuras" que ele considera energia orgone estagnada - DOR Deadly Orgone Radiation. 

 

O proveito pacífico da bomba atômica estava no centro das publicações,  da propaganda e do interesse dos governos. Estavam na era McCarthy   (com uma intensa patrulha anticomunista, perseguição política e desrespeito aos direitos civis nos EUA onde muitos cientistas, educadores, sindicalistas e até militares foram investigados com conclusões parciais e altamente questionáveis e muitos foram presos e levados ao suicídio). E aí, de repente, um cientista natural bem conhecido diz haver efeitos duradouros e subliminares de baixa radiação que atuam bem diferente do que se era conhecido e decide investigar...

 

Enquanto Reich tenta lidar sozinho com a atmosfera radioativa em Orgon, a FDA instaura um processo contra o uso de acumuladores com orgone e a alegação da existência de energia orgone. Reich se mantém longe do debate porque ele não quer se justificar diante de um tribunal sem um conselho consultivo científico. Em sua ausência o tribunal aprova a energia orgone como não existente e proíbe qualquer uso do acumulador de orgone. Em uma interpretação errada da sentença judicial a FDA ordena queimar sua coletânea de publicações. Vale lembrar, estavam na era McCarthy...

 

 

 

 

 

Dr. Reich e o Cloudbuster

 

Reich continua com seus trabalhos.

 

Com sua observação de que energia orgone existe na atmosfera ele desenvolve o Cloudbuster que tem influência sobre o orgone atmosférico e o tempo e liberta o ar da energia mortal DOR.

 

No documentário há o relato de um morador onde Reich fez chover cerca de meio centímetro em um raio de 40 quilômetros com seu Cloudbuster.

 

Com uma expedição do tempo para o Arizona Reich faz uma última tentativa para provar que a energia orgone existe e que a falta dela na atmosfera acelera a formação desértica. Com o Cloudbuster ele obteve grande sucesso e pode notar o real funcionamento da autorregulação na natureza, onde era preciso apenas libertar o chão a um certo grau de DOR e logo o chão, a atmosfera funcionam de novo.

 

Para apoiarem as pesquissas de Reich no Arizona, alguns dos poucos funcionários que se mantiveram ao seu lado, violam a sentença judicial do ano de 1955 que o proíbe de usar o termo "Orgon"e de alugar seus acumuladores para pacientes.  Reich é condenado a dois anos de prisão pelo desacato dessa ordem judicial.

 

Em 12 de março de 1957, inicia o cumprimento de sua pena. Logo após sua condenação ele escreve para sua esposa:

 

"Eu não vou conseguir  suportar a prisão e serei - muito provavelmente - morto lá."

 

Pouco antes da promessa de ser solto por bom comportamento ele é encontrado morto em sua cela em 3 de novembro de 1957. Como causa da morte é determinado insuficiência cardíaca, no entanto, uma autópsia é descartada. A verdadeira causa da morte de Wilhelm Reich nunca foi esclarecida.

 

Só 10 anos mais tarde os escritos de Reich voltaram a circular e muito dos seus princípios sociopolíticos tornaram-se técnicas para um um movimento revoltoso em 1968. Um slogan na parede externa da universidade de Frankfurt diz: Leiam Whilhelm Reich e ajam de acordo.

 

           "No homem mora o ser total da criação e, quando o desdobramos, desdobramos o mundo"                                                                                            Wilhelm Reich